Criada durante a ditadura militar, Escola de Comunicações e Artes da USP consolidou-se como referência na formação de comunicadores, artistas e pesquisadores e agora se prepara para os impactos da inteligência artificial e das novas tecnologias.
A Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP completou 60 anos em junho de 2026 reafirmando um legado marcado pela inovação, pela diversidade e pelo compromisso com a formação humanista. Criada em 1966, em pleno regime militar, a instituição nasceu como Escola de Comunicações Culturais (ECC) e, desde então, tornou-se uma das mais importantes referências brasileiras nas áreas de comunicação, artes e cultura.
Desde sua origem, a ECA reuniu diferentes campos do conhecimento em uma proposta considerada ousada para a época. Além disso, seu surgimento ocorreu em um contexto de censura, perseguições políticas e forte tensão social. Por isso, a ECA desenvolveu uma identidade associada à reflexão crítica, à liberdade de expressão e à experimentação acadêmica. A programação completa das atividades comemorativas dos 60 anos da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP está disponível aqui.
ECA: uma escola moldada pela resistência e pela interdisciplinaridade
Os primeiros cursos incluíam Jornalismo, Rádio e Televisão, Cinema, Relações Públicas, Biblioteconomia e Arte Dramática. Posteriormente, a instituição ampliou sua atuação com graduações em Música, Artes Plásticas, Publicidade e Propaganda, Editoração, Turismo e, mais recentemente, Educomunicação.
Segundo a diretora da escola, Clotilde Perez, a criação da ECA em meio à ditadura militar representou um ato de coragem. Para ela, a convivência entre artes e comunicação fortaleceu uma visão multidisciplinar que permanece como uma das maiores características da instituição.
Ao longo de seis décadas, a escola formou mais de 13 mil profissionais e consolidou uma trajetória marcada pelo diálogo entre diferentes áreas do conhecimento. Atualmente, a ECA reúne oito departamentos, 17 cursos de graduação, programas de pós-graduação e a tradicional Escola de Arte Dramática (EAD).
Berço de artistas, comunicadores e pesquisadores
Pelas salas de aula da ECA passaram profissionais que ganharam projeção nacional e internacional. Entre eles estão William Bonner, Sandra Annenberg, Marcelo Tas, Marina Person, Rodrigo Faro, Soninha Francine, Ana Cañas e Jão. A Escola de Arte Dramática também contribuiu para a formação de nomes como Vera Holtz, Lilia Cabral, Marisa Orth, Matheus Nachtergaele e Edson Celulari.
No campo acadêmico, a instituição formou pesquisadores que se tornaram referências em comunicação, artes, fotografia, cinema e educação, fortalecendo a influência da escola na produção científica brasileira.
O futuro passa pela inteligência artificial
Se o passado da ECA foi marcado pela resistência política e pela inovação cultural, o futuro apresenta novos desafios. Entre eles estão a integração cada vez maior entre comunicação e artes, a atualização dos modelos de ensino e a adaptação às transformações provocadas pelas tecnologias digitais.
Nesse contexto, a inteligência artificial ocupa papel central. Gestores e professores destacam a necessidade de revisar currículos, fortalecer a internacionalização das pesquisas e preparar estudantes para profissões que ainda estão em transformação.
Além disso, a escola busca responder às mudanças no perfil dos alunos e às demandas de um mercado que evolui em velocidade crescente. A meta, segundo a direção, consiste em manter a excelência acadêmica sem perder a capacidade de dialogar com a sociedade contemporânea.
ECA: uma história que continua em construção
Para professores que acompanharam diferentes momentos da instituição, a força da ECA sempre esteve na pluralidade de ideias, pessoas e trajetórias. Entre movimentos estudantis, manifestações artísticas, pesquisas pioneiras e debates sobre o futuro da comunicação, a escola construiu uma identidade singular dentro da USP.
Seis décadas depois, a ECA segue como espaço de criação, crítica e formação de talentos. Ao mesmo tempo, carrega a missão de interpretar um mundo em rápida transformação e ajudar a construir novas formas de comunicação, cultura e conhecimento para as próximas gerações.
A programação completa das atividades comemorativas dos 60 anos da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP está disponível aqui.
Fonte: Jornal da USP
Fachada do prédio central da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP – Foto: ECA-USP





