A lição de Pablo Neruda: preservar a criança interior também é uma forma de cuidar do mundo

Poeta chileno e Nobel de Literatura, Pablo Neruda transformou a imaginação, a infância e o cotidiano em pilares de sua obra e deixou uma reflexão que permanece atual.

Pablo Neruda, poeta chileno e vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, defendia que a imaginação não deveria desaparecer com a vida adulta. A conhecida frase “A criança que não brinca não é criança, mas o homem que não brinca perdeu para sempre a criança que vivia dentro dele” sintetiza essa visão. Mais do que uma lembrança da infância, a declaração convida à preservação da curiosidade, da criatividade e da capacidade de se encantar com o mundo.

A citação, atribuída ao livro Confesso que vivi, publicado após sua morte, reforça uma ideia presente em toda a trajetória literária de Neruda. Ao longo das memórias, o escritor mistura experiências pessoais, paisagens, objetos e poesia. Assim revelando que o olhar sensível nasce da atenção aos detalhes da vida cotidiana.

Para Neruda, brincar representava um exercício permanente da imaginação. Por isso, colecionava objetos curiosos, reunia peças náuticas, máscaras e garrafas, além de transformar elementos comuns em matéria-prima para seus poemas. Dessa forma, mostrava que uma cebola, um par de meias ou uma mesa também carregavam beleza e significado.

Nascido em Parral, em 1904, e criado em Temuco, no sul do Chile, Neruda construiu uma relação profunda com os bosques, a chuva e a natureza. Esse contato, por sua vez, influenciou sua produção literária e fortaleceu um olhar atento às pequenas manifestações da vida.

Essa perspectiva aparece em obras marcantes. Entre elas, Odas elementares, dedicada aos objetos cotidianos; Veinte poemas de amor y una canción desesperada. Esta que o projetou internacionalmente ainda jovem; e Confesso que vivi, em que recorda casas, viagens, coleções e lembranças sob uma perspectiva poética.

Uma mensagem que continua atual

A reflexão permanece relevante porque convida adultos a manterem viva a capacidade de observar, experimentar e se surpreender. Em vez de propor um retorno literal à infância, Neruda defende a permanência de uma atitude criativa diante da realidade.

Assim, sua obra sugere que preservar a sensibilidade também fortalece a relação com as pessoas, com a natureza e com os objetos que fazem parte do cotidiano. Em tempos marcados pela velocidade e pelo excesso de estímulos, a mensagem do poeta lembra que o encantamento continua sendo uma das formas mais profundas de compreender o mundo.

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Fonte: Catraca Livre

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