Abelhas transformam vidas: mulheres encontram renda, propósito e sustentabilidade no campo capixaba

Abelhas transformam vidas: capacitação, empreendedorismo e paixão pela natureza impulsionam mulheres do Espírito Santo a criar negócios sustentáveis ligados à apicultura e à meliponicultura.

O que começou como curiosidade, terapia ou simples hobby se transformou em fonte de renda, realização profissional e impacto ambiental positivo para mulheres de diferentes áreas no Espírito Santo. Analista de sistemas, advogada, fisioterapeuta e técnica de enfermagem encontraram na criação de abelhas uma oportunidade para empreender, diversificar a renda e fortalecer a conservação ambiental.

Embora tenham trajetórias distintas, elas compartilham um elemento em comum: investiram em capacitação técnica antes de transformar a atividade em negócio. Cursos, associações, mentorias e programas de empreendedorismo ajudaram a consolidar projetos que hoje envolvem produção de mel, própolis, cosméticos, bebidas artesanais e ações de educação ambiental.

Conhecimento impulsiona novos negócios sustentáveis

Entre as histórias de superação está a da técnica de enfermagem Kátia dos Santos, conhecida como Kátia Abelha, em São Domingos do Norte. Após sofrer um choque anafilático provocado por uma picada de abelha, ela enfrentou dois anos de tratamento com imunoterapia para continuar na atividade. A persistência deu resultado. Atualmente, ela trabalha com criação de abelhas, desenvolve cosméticos à base de produtos das colmeias e ministra cursos em diferentes estados para novos produtores.

Já a analista e desenvolvedora de sistemas Luana Pimentel iniciou sua relação com as abelhas há mais de dez anos, após mudar-se para Aracruz. O interesse pessoal evoluiu para uma atividade que hoje ocupa grande parte da rotina. Além da produção de mel, ela investe em sabonetes, velas e bebidas artesanais, enquanto atua como educadora ambiental em escolas. Atualmente, cursa pós-graduação em Gestão do Agronegócio e planeja criar uma agroindústria familiar.

Segundo Luana, o crescimento da demanda por produtos sustentáveis e de origem conhecida fortalece o mercado. Para ela, a combinação entre conservação ambiental, produção artesanal e qualidade agrega valor e amplia oportunidades de negócio.

Produção sustentável avança entre novos empreendedores

A advogada Eva Pires Dutra representa o perfil de quem ainda está nos primeiros passos da atividade. Há cerca de um ano e meio, ela começou a criar abelhas sem ferrão em uma propriedade de Domingos Martins. Embora a produção ainda seja destinada ao consumo próprio, o objetivo é ampliar o número de colônias e iniciar a comercialização de mel e própolis.

Eva destaca a importância da troca de experiências entre produtores, além dos cursos de capacitação. Segundo ela, o principal desafio da meliponicultura está no tempo necessário para formar colônias suficientes para alcançar escala comercial. Mesmo assim, acredita no potencial econômico e ambiental da atividade, especialmente pelos benefícios da polinização para a agricultura.

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Das abelhas surgiu uma nova carreira

A fisioterapeuta Giovana Branco encontrou na apicultura uma nova oportunidade após enfrentar um período de esgotamento profissional. Inicialmente interessada nos benefícios do própolis verde para a saúde, ela aprofundou os estudos, participou de mentorias e estruturou uma empresa especializada em produtos apícolas.

O investimento em conhecimento trouxe reconhecimento nacional. Durante o Congresso Brasileiro de Apicultores e Meliponicultores, realizado em Florianópolis, o mel produzido por sua empresa conquistou o terceiro lugar em uma competição nacional.

Para Giovana, a capacitação contínua faz parte do sucesso do negócio. Além disso, ela acredita que a apicultura e a meliponicultura oferecem oportunidades promissoras para mulheres que desejam empreender em atividades sustentáveis.

Pequenos insetos, grandes transformações

As experiências dessas empreendedoras mostram que a criação de abelhas vai muito além da produção de mel. A atividade gera renda, estimula a educação ambiental, fortalece a agricultura por meio da polinização e abre espaço para novos negócios ligados à bioeconomia.

Ao mesmo tempo, as histórias reforçam que conhecimento técnico, planejamento e capacitação continuam sendo os principais diferenciais para transformar um interesse pessoal em uma atividade economicamente viável e ambientalmente relevante.

Fonte: Matéria completa no G1

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