Crise climática: relatório da ONU mostra que região vive o período mais quente desde 1900, com avanço de ondas de calor, secas extremas e elevação do nível do mar.
A América Latina e o Caribe atravessam o período de aquecimento mais intenso desde o início das medições climáticas, em 1900. O alerta aparece no relatório “Estado do Clima na América Latina e no Caribe”, divulgado pela Organização Meteorológica Mundial em Brasília. Além disso, o documento aponta uma aceleração preocupante dos eventos climáticos extremos em toda a região.
Segundo a pesquisa, o intervalo entre 1991 e 2025 apresentou o maior ritmo de aumento das temperaturas dos últimos 125 anos. Na América do Sul, os termômetros avançam 0,26°C por década. Já a América Central e o Caribe registram alta de 0,25°C. O México lidera o ranking regional, com aquecimento de 0,34°C por década, mais que o triplo do observado entre 1961 e 1990.
O relatório destaca ainda que 2025 entrou para a lista dos anos mais quentes já registrados na região. Além disso, ondas de calor acima de 40°C atingiram diferentes áreas das Américas. A cidade de Mexicali, no México, bateu recorde nacional ao alcançar 52,7°C. Enquanto isso, Mariscal Estigarribia, no Paraguai, registrou 44,8°C, e o Rio de Janeiro chegou a 44°C.
De acordo com a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, os sinais das mudanças climáticas tornaram-se evidentes em toda a América Latina. Entre os principais impactos aparecem o derretimento acelerado de geleiras, a elevação do nível do mar, ciclones mais intensos, enchentes recorrentes e secas prolongadas.
O estudo também relaciona o calor extremo ao avanço de problemas de saúde pública. A estimativa da agência aponta cerca de 13 mil mortes anuais associadas às altas temperaturas em 17 países analisados entre 2012 e 2021. No entanto, a OMM acredita que os números reais sejam ainda maiores devido à subnotificação oficial.
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Outras consequências da crise climática
As mudanças climáticas também alteraram o padrão das chuvas no continente. O Sul do Brasil passou a registrar enchentes mais frequentes e aumento no volume anual de precipitações, cenário semelhante ao observado no Uruguai e no norte da Argentina. Em contrapartida, o Nordeste brasileiro, o Chile central e partes da América Central enfrentam estiagens mais severas.
Na Amazônia, o relatório identifica períodos secos mais longos e chuvas concentradas em eventos extremos. Além disso, secas recorrentes avançam sobre o sul e o leste da floresta. Em outros países, os impactos também cresceram. Peru e Equador registraram enchentes que afetaram mais de 110 mil pessoas em março. Já o México enfrentou chuvas fatais em outubro, além de seca em até 85% do território.
Os oceanos da região também demonstram sinais acelerados de transformação climática. Em 2025, o pH da superfície marítima atingiu os menores níveis já registrados em áreas do Atlântico e do Pacífico próximos à América Latina, intensificando o processo de acidificação dos oceanos.
Além disso, ondas de calor marinhas avançaram pelo Golfo do México, Caribe e litoral chileno, prejudicando corais, estoques pesqueiros e ecossistemas costeiros. Ao mesmo tempo, o nível do mar subiu acima da média global em áreas do Atlântico tropical e do Caribe, ampliando riscos para cidades litorâneas e comunidades costeiras.
Fonte: G1





