Transição agroalimentar: do modelo Predatório ao Sustentável no século 21

Arilson Favareto alerta: sistemas alimentares do século 21 exigem transição urgente para agroecologia e diversidade, combatendo monotonia e insustentabilidade climática. 

“O sistema alimentar do século 21 terá que ser muito diferente do que foi no século 20”, afirma Arilson Favareto, da Cátedra Josué de Castro. Segundo ele, os meios de aumento da produção no século passado levaram à padronização e à simplificação, gerando monotonia alimentar.

Além disso, a insustentabilidade dos sistemas agroalimentares vigentes fica evidente nos prejuízos causados por eventos climáticos extremos na produção agropecuária.

“Já começamos uma transição, mas é típico em situações de transição essa convivência entre o velho e o novo”, explica Favareto. Portanto, a transição agroalimentar promove mudanças de modelos convencionais e predatórios para sistemas sustentáveis, justos e resilientes, com foco em agroecologia, diversidade de alimentos e redução de impactos ambientais e sociais.

Entretanto, “o novo começa assim, com inovações localizadas, ilhas de novas práticas, nichos que vão surgindo, cercados por um mar de formas convencionais”.

Questões como bioinsumos crescem não por pressão ambiental, mas devido aos custos crescentes de fertilizantes químicos e agrotóxicos, que asfixiam a renda dos produtores. Por fim, bem-estar animal e certificação de boas práticas serão exigências crescentes dos consumidores. “É um caminho sem volta.”

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Alimentação saudável e sustentável

Hoje, os objetivos mudam para uma alimentação saudável e sustentável para todos. Assim, é preciso valorizar a diversidade, evitar ultraprocessados, substituir insumos químicos e ultraespecialização agropecuária, além de promover mudanças institucionais, como reorientar crédito e pesquisa para reconectar alimentação à natureza e à saúde.

Para uma transição real, reconheça a necessidade e torne-a menos ambígua. Multiplique inovações e desincentives o modelo convencional: taxar ultraprocessados, cortar subsídios para práticas convencionais e redirecioná-los para práticas regenerativas e diversificação alimentar. Além disso, traduza isso em metas progressivas e ousadas de substituição.

“Substituição é a palavra-chave. Só assim nós vamos ter uma reconfiguração do sistema agroalimentar compatível com os objetivos ético normativos de uma alimentação saudável e sustentável, que é o que todos queremos e precisamos.”

Fonte: Jornal da USP

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