Fenômeno deve atingir intensidade muito forte nos próximos meses, com impactos sobre temperaturas, chuvas e riscos ambientais no Brasil e no mundo.
O El Niño de 2026 ganha força e pode se tornar um dos eventos mais intensos já registrados. Segundo a NOAA, há 75% de probabilidade de que o fenômeno supere a intensidade dos eventos registrados desde 1950 no trimestre entre outubro e dezembro. A agência também aponta mais de 90% de chance de um El Niño muito forte nos próximos meses.
No Brasil, o cenário exige atenção. O INPE e o INMET já apontam probabilidade superior a 90% de um evento muito forte durante a primavera e o verão de 2026–2027. Além disso, os órgãos alertam para possíveis impactos associados à alteração dos padrões de chuva e temperatura.
El Niño pode ampliar o calor extremo
O aquecimento do Pacífico influencia a circulação atmosférica e modifica padrões de temperatura e precipitação em diferentes regiões do planeta. Assim, os efeitos não ficam restritos às áreas próximas ao oceano.
Uma análise do Climate Impact Lab, ligado à Universidade de Chicago, estima que o calor associado ao atual El Niño pode provocar 451 mil mortes adicionais por calor entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, em comparação com um ano típico.
A mesma análise projeta um aumento de 44% no número de dias extremamente quentes durante o período analisado. Para os pesquisadores, as temperaturas terrestres associadas ao fenômeno podem antecipar condições que seriam esperadas apenas nas próximas décadas.
No entanto, o número representa uma projeção, e não mortes já registradas. Além disso, o estudo estima 239 mil mortes adicionais entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027, dentro do total projetado para todo o período iniciado em junho.
Impactos também incluem chuvas, secas e incêndios
O calor representa apenas uma parte dos possíveis efeitos. O El Niño também pode alterar os regimes de chuva e aumentar a ocorrência de condições favoráveis a secas, tempestades e incêndios em diferentes partes do mundo.
No Brasil, os impactos variam conforme a região. Historicamente, episódios de El Niño podem favorecer chuvas mais intensas no Sul, enquanto determinadas áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos.
Além disso, eventos extremos de chuva podem aumentar a vulnerabilidade de áreas urbanas sujeitas a alagamentos e deslizamentos. Por outro lado, períodos prolongados de estiagem podem pressionar reservatórios, agricultura e disponibilidade de água.
Por que o El Niño altera o clima global?
O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Pacífico equatorial ficam mais quentes do que o normal. Esse aquecimento interfere na circulação dos ventos, na pressão atmosférica e na distribuição de umidade.
Em condições normais, os ventos alísios deslocam águas superficiais mais quentes em direção ao oeste do Pacífico, próximo à Indonésia e à Oceania. Durante o El Niño, esses ventos enfraquecem e permitem que águas mais quentes avancem para a região central e leste do oceano.
Consequentemente, o padrão de circulação atmosférica também muda. Isso afeta a formação de nuvens e chuvas e pode produzir efeitos climáticos a milhares de quilômetros do Pacífico.
Um alerta para as cidades e os ecossistemas
A intensificação do El Niño ocorre em um planeta que já registra temperaturas médias elevadas por causa das mudanças climáticas. Dessa forma, o fenômeno pode ampliar a exposição de populações, cidades e ecossistemas a extremos de calor, chuva e seca.
Para o Brasil, o acompanhamento das previsões será fundamental nos próximos meses. Afinal, os efeitos do El Niño não acontecem de maneira uniforme e podem mudar conforme a região e a evolução do fenômeno.
Por isso, monitorar temperaturas, chuvas e disponibilidade hídrica torna-se cada vez mais importante para reduzir riscos e preparar cidades, empresas e comunidades para um período de maior instabilidade climática.
Fonte: CNN Brasil





