Exposição imagina a Terra sem humanos para refletir sobre a crise climática

Mostra no Museu de Arte Contemporânea da USP cria um ecossistema fictício do ano 3029 para discutir biodiversidade, mudanças climáticas e o futuro do planeta.

Como seria a Terra se as condições ambientais favorecessem apenas os seres não humanos? Essa é uma das perguntas propostas por Tnedirtes, exposição da artista Sara Matos em cartaz no Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP, em São Paulo.

A mostra transporta o visitante para um cenário fictício no ano de 3029. Nesse futuro, os seres humanos já desapareceram e novas criaturas ocupam um planeta marcado pelas transformações provocadas pela ação humana.

A proposta, porém, não pretende apresentar uma visão apocalíptica. Ao contrário, Matos usa a arte para estimular uma reflexão sobre as marcas deixadas pela humanidade e sobre os caminhos possíveis diante da crise climática.

Criaturas imaginárias representam um novo ecossistema

As protagonistas da exposição são as Tnedirtes, criaturas criadas pela artista como organismos que compartilham um mesmo sistema nervoso. Elas representam uma forma de vida adaptada a um mundo sem presença humana.

Matos criou as criaturas em 2021, durante sua graduação em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Inicialmente, o projeto surgiu como uma ideia literária, mas ganhou posteriormente representações visuais e sonoras.

O próprio nome Tnedirtes não possui origem etimológica. A artista escolheu uma palavra sem significado conhecido para reforçar a sensação de estranhamento diante desse ecossistema imaginário.

Quatro obras constroem a experiência

Entre eles está Corpo Coletivo, formado por 16 desenhos que, juntos, representam um único organismo. A instalação ocupa uma parede inteira e permanece aberta à expansão, reforçando a ideia de um ser em transformação contínua.

A exposição reúne quatro elementos principais: duas animações em 3D, uma obra sonora e 16 desenhos que formam uma única composição.

Já a animação Vida Adulta apresenta uma criatura composta por múltiplos tentáculos, que se movimentam de maneira intensa e desordenada. Enquanto isso, Habitat combina 16 áudios para criar a atmosfera sonora do ambiente imaginado pela artista.

Arte como reflexão sobre a crise climática

Embora apresente um futuro sem seres humanos, Tnedirtes não propõe apenas uma narrativa sobre extinção. A exposição também questiona o esgotamento dos recursos naturais e a relação da sociedade com os demais seres vivos.

Nesse sentido, a obra aborda temas como biodiversidade, mudanças climáticas e antropocentrismo. Ao imaginar um planeta transformado pela ação humana, a artista convida o público a pensar sobre as consequências das escolhas atuais.

Além disso, a exposição procura deslocar o debate ambiental de uma perspectiva exclusivamente pessimista. Para Matos, ainda existe espaço para discutir alternativas e caminhos capazes de modificar esse cenário.

Exposição fica em cartaz até novembro

Tnedirtes integra o 3º Edital de Exposições Temporárias 2024/2025 do MAC. O edital recebeu 180 projetos e selecionou três propostas de artistas em início de trajetória.

A exposição é a terceira e última mostra contemplada pela iniciativa. As outras selecionadas foram Tudo que Nasce Vermelho, de Luara Macari Nogueira, e Assim Como Rafael, O Que Fiz é Furto Qualificado, de João Guilherme Parisi.

A mostra Tnedirtes segue em cartaz até 1º de novembro, de terça-feira a domingo, das 10h às 21h, no Museu de Arte Contemporânea da USP, na Avenida Pedro Álvares Cabral, 1.301, no Ibirapuera, em São Paulo.

A entrada é gratuita. A exposição oferece, portanto, uma oportunidade de aproximar arte e meio ambiente enquanto propõe uma reflexão sobre o futuro da vida no planeta.

Fonte: Jornal da USP
Foto: Marcos Santos/USP Imagens

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