Games incorporam sustentabilidade às mecânicas, ampliam a consciência ambiental e transformam escolhas ecológicas em experiência interativa para milhões de jogadores.
Durante anos, videogames serviram apenas como entretenimento. No entanto, a crise climática mudou esse cenário. Hoje, muitos jogos colocam sustentabilidade no centro da experiência. Jogar passou a significar gerir recursos, enfrentar consequências ecológicas e reparar danos ambientais.
Assim, a emergência climática deixou relatórios técnicos e entrou na cultura pop, alcançando públicos globais.
Em Terra Nil, a lógica se inverte. Em vez de crescer indefinidamente, o jogador restaura biomas e desmonta estruturas para devolver espaço à natureza.
Já Eco: Global Survival Game aposta na cooperação. Jogadores precisam salvar o planeta de um meteoro sem destruir o meio ambiente antes.
Enquanto isso, Anno 2070 explicita o conflito entre energia poluente e tecnologias limpas, mostrando custos reais de cada escolha.
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Empatia ecológica e narrativas de sobrevivência
Alguns títulos trabalham sustentabilidade pela emoção. Em Alba: A Wildlife Adventure, pequenas ações comunitárias protegem a biodiversidade local.
Em contraste, Endling – Extinction is Forever coloca o jogador como a última raposa viva, em um mundo devastado.
Além disso, The Climate Trail aborda refugiados climáticos, enquanto Okami, Horizon Zero Dawn e Spore reforçam que decisões moldam ecossistemas.
Esse movimento também ocorre fora das telas. Em 2019, a ONU lançou a Playing for the Planet Alliance, com apoio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
O objetivo envolve reduzir emissões, melhorar eficiência energética e integrar mensagens ambientais aos jogos. Empresas como Sony e Microsoft aderiram e prometeram cortar milhões de toneladas de CO₂ até 2030.
Uma das ações mais visíveis da aliança é o Green Game Jam. O evento incentiva estúdios a criar ativações ambientais dentro dos jogos.
Em 2020, participaram 11 títulos mobile. Em 2023, o número subiu para 40 jogos em múltiplas plataformas.
Essas ações incluem desafios ecológicos, campanhas educativas e doações para projetos ambientais.
Jogos como laboratórios do futuro
Embora a indústria ainda enfrente desafios energéticos, a tendência parece irreversível. Games deixaram o escapismo puro e se tornaram espaços para testar futuros possíveis.
Agora, ganhar não significa apenas pontuar, mas restaurar, conservar e repensar modelos de desenvolvimento.
Fonte: Revista Amazonia





