Cartilha do Projeto Bem Viver fortalece práticas integrativas e saberes populares na Reforma Agrária

Cartilha do Projeto Bem Viver reúne experiências de formação em fitoterapia e consolida o protagonismo de mulheres camponesas na promoção da saúde em comunidades do Paraná.

O Projeto Bem Viver lançou, em fevereiro, a cartilha “Semeando conhecimento e ancestralidade”, resultado de um processo formativo que articulou ciência e saber popular. O material sistematiza as experiências do Curso de Extensão em Práticas Integrativas de Saúde (PICS), com ênfase em fitoterapia, realizado entre 2024 e 2025.

Além disso, o lançamento ocorreu no Casarão do assentamento Contestado, na Lapa (PR), e marcou a formatura de cerca de 50 mulheres camponesas e militantes. Agora, elas atuam como multiplicadoras de saúde popular em assentamentos e acampamentos.

A iniciativa partiu do Setor de Saúde do MST-PR, por meio do Projeto Bem Viver, em parceria com o Instituto Contestado de Agroecologia, a Itaipu Binacional — via programa Itaipu Mais que Energia — e com apoio da Unioeste.

A cartilha apresenta uma visão ampliada de saúde, que vai além da ausência de doenças. Nesse sentido, o material associa o bem-estar ao direito à terra, à agroecologia e à organização coletiva.

O conteúdo reúne relatos de vida, ilustrações, cartografia social, poesias e receitas práticas de fitoterapia. Entre elas, destacam-se preparações de pomadas e tinturas naturais, amplamente utilizadas nos territórios.

Segundo Maria Izabel Grein, da coordenação do curso, o processo de escrita revelou a força do coletivo. Em matéria do portal MST.org, ela destaca que a escuta ativa e o diálogo transformaram participantes em autoras e autores de suas próprias histórias.

Memória, resistência e protagonismo feminino

A publicação também homenageia Luiza Aparecida dos Santos, militante histórica do MST no Paraná. Durante 28 anos, ela atuou na luta pela reforma agrária e na organização do Setor de Saúde.

Reconhecida pelo acolhimento e pela resistência, Luiza tornou-se referência no cuidado às famílias em situações de conflito e despejos. Assim, seu legado simboliza afeto, ancestralidade e solidariedade.

Por conseguinte, as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), inseridas no SUS, orientam a formação ao considerar dimensões físicas, emocionais e sociais do cuidado. Dessa forma, o curso funcionou como ponte entre universidade e território.

Crislaine Lourdes Faustino, integrante do Setor de Saúde há 18 anos, destaca o impacto da formação. Segundo ela, participantes com baixa escolaridade concluíram o curso e ampliaram sua atuação comunitária.

Por sua vez, Serla Moraes reforça que o conhecimento construído nasce das vivências locais. Ela afirma que o cuidado envolve ancestralidade, alimentação saudável e práticas coletivas nos assentamentos.

Expansão e continuidade das ações

Durante o evento, representantes da Itaipu Binacional reafirmaram o compromisso com a difusão científica e o fortalecimento comunitário. A proposta, portanto, busca ampliar o alcance da formação em saúde popular.

A formação percorreu diferentes centros de agroecologia no Paraná, em etapas itinerantes. Com isso, reforçou o papel das mulheres como guardiãs de saberes tradicionais e protagonistas na construção de territórios saudáveis.

Além das formandas, participaram do lançamento representantes de instituições acadêmicas, movimentos sociais e organizações populares, consolidando a articulação entre os principais atores em torno da saúde coletiva.

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Com informações do portal mst.org

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