Atuação do arquiteto Filemon Tiago mostra como materiais locais, conforto ambiental e técnicas de bioconstrução podem transformar a habitação de interesse social.
A habitação de interesse social pode ir além da construção de moradias de baixo custo. Para o arquiteto e urbanista Filemon Tiago, ela também precisa promover conforto, sustentabilidade e dignidade.
Baseado em Goiânia, Goiás, o bioarquiteto atua com bioconstrução, permacultura urbana e habitação social sustentável. Seu trabalho combina estética contemporânea, tecnologias ecológicas e técnicas construtivas tradicionais.
Entre os materiais utilizados estão adobe, taipa de pilão e tijolos ecológicos. Além disso, o arquiteto desenvolve alternativas para reduzir custos e diminuir a dependência da construção convencional.
O Método CBCS, ou Casa de Baixo Custo Sustentável, sintetiza essa proposta. A iniciativa busca demonstrar que arquitetura de qualidade e soluções ambientalmente responsáveis não precisam ficar restritas às classes de maior renda.
Materiais locais e conforto ambiental
Filemon Tiago defende a substituição de parte da alvenaria tradicional por materiais locais e técnicas vernaculares adaptadas às necessidades atuais.
Nesse sentido, o tijolo ecológico utiliza solo-cimento e dispensa a queima em fornos. Já o adobe e a taipa de pilão também podem contribuir para o conforto térmico e acústico das edificações.
Além disso, no aspecto ambiental, a escolha dos materiais considera as características de cada território. Clima, geografia e hábitos culturais precisam orientar os projetos de habitação social.
Essa abordagem questiona modelos padronizados de moradia popular. Em vez de reproduzir soluções idênticas, a proposta considera as particularidades de cada comunidade.
ATHIS aproxima arquitetura das famílias de baixa renda
Outro eixo importante da atuação de Filemon é a Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social, conhecida como ATHIS.
A Lei Federal nº 11.888/2008 garante às famílias de baixa renda acesso gratuito a projetos e acompanhamento profissional para construir ou reformar suas moradias.
Nesse contexto, a ATHIS pode aproximar conhecimento técnico e necessidades reais das comunidades. A iniciativa também amplia o acesso à arquitetura e contribui para melhorar a qualidade das habitações.
ArqViva leva a bioconstrução para comunidades
O projeto ArqViva integra esse esforço de democratização da arquitetura. A iniciativa promove cursos e oficinas práticas em comunidades em situação de vulnerabilidade social.
Estudantes de arquitetura e moradores participam conjuntamente das atividades. Durante as oficinas, aprendem técnicas como produção e aplicação de adobe e reboco natural.
Assim, a comunidade amplia sua autonomia para construir, reformar e melhorar suas próprias moradias. Ao mesmo tempo, estudantes entram em contato com demandas concretas da habitação social.
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Crianças também aprendem sobre sustentabilidade e cidade
A atuação de Filemon Tiago inclui ainda iniciativas voltadas à educação ambiental na primeira infância. O projeto aproxima crianças de 5 a 12 anos da sustentabilidade, da bioarquitetura e do direito à cidade.
Por meio do Canteiro Experimental ArqViva, atividades práticas utilizam a bioconstrução como ferramenta pedagógica. Terra e materiais naturais tornam-se instrumentos para apresentar conceitos de urbanismo e consciência socioambiental.
A proposta parte da ideia de que o espaço construído também educa. Dessa forma, o contato precoce com esses conceitos pode estimular uma relação mais consciente com a cidade e o meio ambiente.
Uma nova perspectiva para a habitação social
A experiência de Filemon Tiago evidencia uma possibilidade para a arquitetura brasileira: combinar baixo custo, identidade regional, conforto ambiental e menor impacto ecológico.
Mais do que propor materiais alternativos, a bioarquitetura aplicada à habitação social questiona o próprio modelo de produção das moradias populares.
Nesse sentido, construir de forma sustentável também significa considerar as pessoas, o território e os recursos disponíveis. Afinal, uma habitação socialmente justa precisa ser acessível, adequada ao ambiente e capaz de promover qualidade de vida.
Fonte: Liras da Liberdade





